alecrins no canavial

não estou só

Posted in Uncategorized by Alziro on março 7, 2005

Este fim de semana, graças ao Felipe, o Gigante, Barão da Avenida, descobri que não estava só ao relatar minha indignação em relação a interpretação equivocada da canção de Jorge Drexler… aí vai o por que…

Declaração de Walter Salles sobre a premiação no Oscar
Anna Luiza Miller – Divulgação

Mais de 400 pessoas, incluindo nomes tão diversos quanto o ator Javier Bardem, os diretores Alejandro Iñarritu, Alfonso Cuáron, Nelson Pereira dos Santos ou o cantor Lenine assinaram a carta-manifesto contra a exclusão de Jorge Drexler, autor e interprete da canção Al otro lado del río, de Diários de motocicleta, da cerimônia da entrega dos Oscars. Depois da cerimônia de ontem , muitos outros nomes se somaram aos já existentes. Entre eles, Catalina Sandino Moreno, Joshua Marston (diretor de Maria Cheia de Graça), Morgan Spurlock (Supersize Me), entre outros. Nessa segunda-feira, a carta será entregue pessoalmente por Robert Redford, produtor do filme, ao presidente da Academia, Frank Pierson. Pierson, roteirista de filmes como Um dia de cão, foi conselheiro do Instituto Sundance, fundado por Robert Redford.

Íntegra da Carta

– Não poderíamos estar mais felizes, pelo autor maravilhoso que Jorge Drexler é, pelo fato de que uma canção que traduz de forma tão sensível a essência do filme ter sido reconhecida, e, finalmente, pela maneira tão digna com que Drexler recebeu o prêmio. A letra linda que Jorge escreveu para a canção fala das eleições éticas, morais, que devemos fazer na vida. Pois bem,também fiquei feliz pela forma solidária com que toda a equipe que fez o filme se comportou quando os produtores do show que transmitiram a cerimônia não permitiram que Jorge cantasse. Gael Garcia Bernal, que havia sido convidado a apresentar a canção na cerimônia, se recusou a fazê-lo para qualquer pessoa que não fosse Drexler. A força de Diários de Motocicleta está no fato de que esse foi um filme feito de forma coletiva, em família. A alma do filme reside nesse todo onde as peças não são intercambiáveis. Fizemos esse filme com total liberdade, e não havia por que aceitar ou compactuar com qualquer tipo de imposição agora, depois de cinco anos de trabalho. Se aprendemos algo com aqueles dois jovens que elegeram uma margem do rio, é que é preciso lutar por aquilo em que a gente acredita. Era necessário manter a coerência e a integridade do trabalho realizado ao longo de cinco anos por uma equipe que veio de todas as partes da América Latina,e foi essa coerência que Drexler personificou no domingo à noite. Quanto à versão da canção que se ouviu, não tem qualquer semelhança com a versão original que está no filme, tanto na forma quanto no conteúdo. Estava equivocada até no cenário e no figurino. Se nos convidam para essa festa, que nos aceitem como somos, e não como acham que devemos ser.


Walter Salles

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